GC14KWN, de HDV. N 39° 33.82? W 009° 05.37?
Em tempos, considerando a possibilidade de colocar uma cache nossa no concelho da Nazaré, elegemos a zona de S. Gião como a mais apetecível.
Aqui se encontra uma das mais antigas e degradadas igrejas da Península Ibérica. A sua origem e idade não é consensual, sendo apelidada de visigótica (séc. VII) por uns autores e de asturiana (séc. X) por outros. É, no entanto, ponto assente que no século XVIII estaria já abandonada, como o comprovam as memórias paroquiais da freguesia de Famalicão, datadas de 1758:
Junto ás Cazas da dita Quinta está fundada huã Irmida consagrada em louvor de S. Gião, e como esta totalmente se acha demolida e arroinada por sua immemoravel antiguidade, mandou um Dr. Vizitador em Capitulos de vizita se tresladasse o dito Santo pª a Igreja Parochial desta Freguezia, por achar indecente a existencia do dito Santo em Lugar tão improprio, com tão pouca veneração e culto. E por isso se acha agora nesta dª Igreja no Altar do Divino Espirito Santo, aonde o povo o venera, e louva com devoção.
Assim, durante trezentos anos, estas paredes que já estariam de pé quando Portugal era um projecto, estiveram entregues à sua sorte, tendo servido inclusive como curral para guardar gado.
Na década de 60 do século XX, redescobriu-se S. Gião e em 1986 este templo foi classificado como monumento nacional. Esta classificação, não é mais do que algumas letras num papel. A ruína continuou.
Em 2000/2001, (finalmente!) teve inicio um projecto de reabilitação do monumento, consistindo, numa primeira fase, no escoramento do edifício e na aplicação de uma cobertura de protecção.

Entretanto, durante o ano de 2006 deveriam ter-se iniciado os trabalhos de restauro da Igreja, estando a sua abertura ao público prevista até ao final de 2007. A promessa não passou do papel e o que resta deste monumento, ali continua, protegido, inacessível e aparentemente esquecido.
Após a visita à área do monumento, esta multi-cache remete-nos para as dunas, quase junto à beira mar, donde conseguimos olhar para a Nazaré sob um novo ponto de vista.

Este é, indiscutivelmente, um local merecedor de uma cache, mas acima de tudo, é um local que mereceria a atenção das entidades responsáveis pela sua preservação!
