GC152GE, de Baunilha & Chocolate. N 39° 46.894 W 009° 00.989
Esta cache irá levá-lo a um pequeno recanto do Pinhal de Leiria, junto à praia de S. Pedro de Moel, onde por acção dos agressivos ventos marítimos, os pinheiros rastejam e se enrolam, como serpentes… de pinho.
Enquanto pesquisávamos a informação necessária para apresentar esta cache, fomo-nos apercebendo da verdadeira importância destas árvores, e da paixão que vêm evocando desde há décadas. Porque outros o souberam dizer melhor do que nós nos atreveríamos sequer a tentar, aqui vos deixamos as suas palavras.
Esses pinheiros, pioneiros do litoral, formando os “batalhões”, são a guarda avançada, os sacrificados (…), a bem dos seus irmãos já distantes do mar. A sua missão consiste na segurança das areias e poderão vir a dar lenhas, resinas, peças para carroçarias, mas nunca se deverão abater senão em pequenas parcelas, em cortes à Masson (cortes rasos em pequenas superfícies, máximo um hectare), como os que se praticaram no Pinhal de Leiria, com bons resultados, mas estes mesmos a um mínimo de 500 m. da linha das marés.
Engº Arala Pinto, chefe da circunscrição florestal do Pinhal de Leiria entre 1927 e 1957

Aos Pinheiros das Dunas
O que a vida fez
de vocês,
velhos pinheiros da minha infância,
árvores de ânsia!…
O que a crueza de mil invernos,
as tormentas todas esguedelhadas
de vendavais
de inferno,
fizeram desses corpos de tortura
e de aflição,
- que tanto ansiais
por fugir desse chão!
Em pequeno metieis-me medo;
minha Mãe ria e dizia – Medroso! -
Que querem? Vocês faziam-me nervoso;
e só muito mais tarde, meus amigos,
deixei de vos olhar como a perigos,
como a cobras de horror.
Só mais tarde entendi vosso segredo
e compreendi a trágica beleza
da vossa dor!
Ó marinheiros pinheiros,
gageiros da tempestade!
Náufragos arrojados
à duna! Cristos pregados
na areia que vos tem crucificados:
- fazieis-me dor e saudade,
a saudade de mim, a mais cruel,
meus pinheiros de Moel!
A saudade do tempo
em que vos eu temia,
porque, inocente, ainda não sabia,
Ó trágico-marítimos!,
que sofreis e suais
e morreis de guardar
a floresta que vive e reverdece
e cresce
à sombra desse lento agonizar.
O que a vida fez
de vocês,
velhos amigos da minha infância
que eu amo como avós.
Como tudo vai longe na distância…
Amigos, o que a vida faz de nós!…
Afonso Lopes Vieira, poeta

Estas palavras foram escritas no tempo dos nossos avós. Hoje, a maioria dos pinheiros rastejantes desapareceram. Como linha avançada de protecção da floresta, estas árvores não têm uma vida fácil! Por acção do fogo e do homem – arrancadas e cortadas aos bocados para “embelezar” jardins, poucas sobreviveram o tempo suficiente para que hoje as possamos admirar.
Quanto aos que restam, apesar de protegidos por decreto lei, não deverão sobreviver até ao tempo dos nossos netos… Pedimo-vos que os admirem com o respeito que merecem!
